Mimesis das Quatro Estações Pintura, música, poesia que se fundem


Memórias: A Primavera de Will Oliveira ganha cor.

As cores assumem seu papel de ocultar o branco, de formarem camadas de visão que se sobreporão na construção representativa ao ocupar seus espaços na forma.

SONETO IX/XII - OUTONO: ALLEGRO

No pleito de dúvida faz-se Verso e mote para a cantiga, Vem com a sorte, velha amiga, E cada rima é assim que nasce. Glosa o destino num soneto Com uma quadra benfazeja, Outra muito dura que seja, Mas puro azar cada terceto. No universo tão deplorado, De meu trabalho e minha sina, Não tem poesia, caí na rotina. Cansado de ser explorado, Volto cedo a vida privada, Impeço à musa que ela evada. Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

SONETO VIII/XII - OUTONO: ADAGIO

Fogo de indústria dos deuses roubado É mesma ciência para as outras partes; Pobre de engenho, todo de mesmas artes, Nunca fará aqui mais que foi cantado. De saber velho tem sempre quem cansa, Nula beleza que nada mais gera, Nem se conte com o que o tempo opera: Conhecer pleno nunca que se alcança. Fico passivo, sujeito, e trabalho Sem esperança em cada novidade; Faço que aprendo, não tem qualidade. Aí, tomam conta de tudo que valho, Cobram da vida por meu desempenho.

SONETO VII/XII - OUTONO: ALLEGRO

Triste encanto assola o coração, Toda alma a querer, só desejo, Mas nenhum sentimento ou pejo, Nada excita o ser, amor não. Vale a carne pelo seu gosto, Supre a vontade de ter sexo, Não mais se suspira em amplexo, Põe-se a gemer, e mostra o rosto. Neste tempo, só penso em mim, Descri de outro afeto que existe, Que só na renúncia consiste. Eis-me, que agora agindo assim, Quase me completo sozinho, Mesmo acompanhado no ninho. Belo Horizonte, 2 de agosto de 1996.

Significação

As Quatro Estações coroando Cronos. ALTOMONTE, Bartolomeo. Óleo sobre tela, 74,5 x 94,5 cm. Para representar as metáforas emuladas foram levantados os signos mais representativos. As estações, por exemplo. Uma cena ou paisagem situadas em estação do ano bem determinada geralmente correspondem ao estado de alma do sonhador. As cenas alegres acontecem quase sempre na primavera ou verão, os sonhos de renascimento na primavera. Não obstante, com maior freqüência se tem consciência do elemento caract

SONETO VI/XII - VERÃO: PRESTO

Febril amor, que cálido, Chamando o corpo estúrdio, Deseja, estapafúrdio, Gozar que seja válido. Mas é prazer sintético, Assume tom hilário, Anula-se contrário Ao motivo dianético. Não quero ser enérgico Com toda minha glória Na fricação corpórea, Serei apenas sinérgico Neste instante magnífico, Dubiamente letífico. Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

SONETO V/XII - VERÃO: ADAGIO

Fogo de indústria dos deuses roubado É nova ciência para as mesmas artes; Dobre-se engenho todo de outras partes, Que se fará aqui mais que foi cantado. De saber novo nem sempre se alcança Toda beleza que, é certo, se espera, Conta-se então com o que o tempo opera: Perfeição plena ao conhecer que avança. Torno-me ativo sujeito e trabalho, Com esperança em cada novidade; Aprendo e faço da maior qualidade. Aí, dou-me conta de tudo que valho, Cobro da vida por meu desempenho, Que sorte minha, boa p

SONETO IV/XII - VERÃO: ALLEGRO

Separa-se o certo do errado, Não tem motivo que confunda Quem neste quesito se funda, Cria juízo e se torna honrado. A enseada da ciência é segura, Quando diz que sim é bem certo, Quando não, nem passa por perto, Saber e erro não se mistura. Eu, para mim, tudo que almejo É segurança e a luz que existe, Clareia trevas e vida triste. Sei bem quem sou, sei meu desejo, Que desta vida terei tudo Estou tranqüilo, não me iludo. Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

Transdisciplinaridade da natureza das coisas

Refletirá a ordem, a percepção e a retórica dos sons a natureza das coisas. A música espelhará, como estrutura orgânica de som, assim como a linguagem – de alguma forma, a essência de uma sociedade, uma era, um pensamento? Sou levado a crer que sim e é nessa hipótese que calço meu argumento. Mas não se pode ouvir a música setecentista com ouvidos modernos, supondo que o homem de alguns séculos a ouviu com o mesmo ouvido de hoje, nem do ponto de vista físico.

SONETO III/XII - PRIMAVERA: ALLEGRO

Só sabe o futuro que tem Quem conhece dia de amanhã. Que problema e dúvida insã: A sina não informa ninguém. A dúvida o tédio destrói, E que drama de amor tecer É possível que venha a ser A roda que o destino mói. O fado que concerne a mim, Não importa que sorte se leu, É ver que o lucro seja meu . Não espero pela hora do fim: Seja lá o destino o que diz, O que interessa é ser feliz. Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

SONETO I/XII - PRIMAVERA: ALLEGRO

Que lúdico existir sem prova Cantar estes versos e amores, Proveito de vida em cores, Delícia de gozo na trova. Feliz de viver pela vida, Tão simples e leve cantiga Seduz, que se espera prossiga, Em versos de rima incontida. Que vaga de prazer, cantei-a, Com graça de amores ferazes, Desperto, entre o sonhar das frases, Na dúvida que hora permeia, Mas bem certo de ser indene, Pois não ouvirei quem me condene. Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

Relatividade da representação

Os conceitos estéticos e ontológicos se abrem ideologicamente, desdobrando-se sobre as determinações estruturais das possibilidades “dos sentidos dos signos” , remetendo-se à desconstrução – crítica das oposições hierárquicas que estruturam o pensamento ocidental: dentro/fora, corpo/mente, literal/metafórico, fala/escrita, espaço/tempo, presença/ausência, natureza/cultura, forma/sentido, letra/música, arte/ciência. O sujeito e o objeto constituem sistema complexo com contradições, oposições, con

Vivaldi - Op. 8, RV 269 - A primavera. Mov. 1 Allegro

Concerto para violinos No. 1 em Mi maior, Op. 8, RV 269 - A primavera. Mov. 1, Allegro, Filarmônica de Berlin 1987, Herbert von Karajan; Anne-Sophie Mutter ao violino.

SONETO I/XII - PRIMAVERA: ALLEGRO

Que juego ese existir sin prueba Cantar estos versos y amores, Ventaja de vida en los colores, Es deleite de alegría en trova. Feliz de vivir para la vida, Así simple y tomado de canción, Si espera la continua seducción, En versos de rima incontenida. Esa olla de placer, la canté, Con gracia de amores feraces, Despierto, en el soñar de las frases, En la duda que hora encontré, Pero bien cierto de ser ileso, Yo no oiré quién me hace estar preso.

Vivaldi - Op. 8, RV 269 - A primavera. Mov. 2 Largo

Concerto para violinos No. 1 em Mi maior, Op. 8, RV 269 - A primavera. Mov. 2, Largo, Filarmônica de Berlin 1987, Herbert von Karajan; Anne-Sophie Mutter ao violino.

SONETO II/XII - PRIMAVERA: LARGO

El horizonte si abrió, la ilusión inunda, Un mar de deseo por mucho tiempo frustrado Encaras el destino que se ha mostrado: Libre de esperanza para la pasión profunda. Saberes ocultos descubiertos muy breve, Si los amores alcanzaren la carne así, Podrán ciertamente calmar el frenesí Que tormenta quien todavía no si atreve. Mi sueño de musas que me hacen cautivo De amor platónico solamente cantado, La pena capital porque soy escondido. Estoy satisfecho sin tener un motivo; Por consiguiente, el de

As Quatro Estações - Mimesis

Este trabalho apresenta as mimeses transversais entre duas leituras contemporâneas de duas obras do século XVIII e discute a invenção baseada em emulações sobre As Quatro Estações, de Antonio Vivaldi. A composição pictórica integra elementos formais da iconografia antiga a elementos da linguagem plástica contemporânea tendo como referenciais: a iconografia de Cesare Ripa e o trabalho de Amílcar de Castro.

Les Quatre Saisons

The Four Seasons, Stage and Costume Designs by Barry Kay ( Les Quatre Saisons ) Stage set, model Polyurethane/PET, string, balsa wood, construction paper and cardboard; scale 1:25. For the use on stage the balloons, resembling clouds, where made of inflatable material. Ballet de l'Opéra Théâtre National Opéra de Paris Première 23rd November 1978 Whereabouts of model unknown.

As Quatro Estações de Gideon Polya

“Four Seasons” - Gideon Polya (acrílico sobre tela, 1,3m X 2,8m) "História ignorada - história repetida" History Ignored Yields History Repeated "Quatro Estações" é uma enorme pintura que criei para ilustrar os ciclos cosmológicos fundamentais e aspectos comportamentais da condição humana. No entanto, não sendo totalmente vítimas da disposição relativa do Sol e da Terra - o homem pode controlar o seu ambiente físico. "Quatro Estações" representa também uma poderosa metáfora para a o comportament

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